Climão na Oficina de Vagões
Alunos recebem mais do que seus instrutores
Um clima de forte insatisfação tomou conta da oficina de vagões após a decisão da gerência local de contratar trabalhadores aprendizes com salários superiores aos dos empregados mais antigos, justamente aqueles que estão no dia a dia instruindo os novatos.
A situação escancara uma falha grave de gestão e de política de remuneração. O problema não está nos novos contratados nem nos salários pagos a eles, mas na ausência de valorização de quem já está na empresa, acumulando experiência e sentindo-se desprestigiado. Na prática, trabalhadores e trabalhadoras mais antigos acabam sendo desvalorizados e desrespeitados.
O caso foi levado pela direção do Sindfer aos representantes da empresa, em busca de uma solução pela via administrativa. A resposta foi direta: não haveria possibilidade de ajuste, sob a justificativa de que o orçamento anual já está apertado.
O Sindfer alerta para o fato de que situações como essa podem estar se repetindo em outras áreas da Vale, como na própria ferrovia, pelotização ou porto. Daí a importância de denunciar ao Sindicato casos semelhantes, para que as providências cabíveis sejam tomadas pela direção da entidade.
POSIÇÃO DA DIRETORIA DO SINDFER
A direção do Sindfer tem buscado o diálogo ao máximo para resolver conflitos pela via administrativa, mas a empresa demonstra uma tendência de empurrar para a esfera judicial a resolução dos problemas internos, mesmo quando há disposição do Sindicato em construir soluções mais rápidas e eficazes.
A resistência sistemática da empresa em enfrentar e resolver os problemas apresentados acaba obrigando o Sindicato a recorrer ao ajuizamento de ações trabalhistas.
Trata-se, na prática, de uma escolha da própria empresa: ao negar soluções administrativas, transfere os conflitos para o Judiciário, adotando um modelo de gestão marcado pela omissão e pelo confronto, que desgasta as relações de trabalho, amplia o passivo trabalhista e gera prejuízos crescentes para a própria empresa.