CADA VEZ MAIS TRABALHADORES PEDEM PARA SAIR DA VALE
Nos últimos anos, tem aumentado o número de trabalhadores e trabalhadoras que pedem para sair da Vale. Embora o índice ainda seja menor do que o observado em outros setores da economia, o movimento chama atenção por se tratar de uma das maiores exportadoras de minério de ferro do mundo. A própria empresa já sente dificuldades para reter profissionais. Entre os motivos apontados estão a frustração com os salários e as condições de trabalho.
Muitos ingressam na empresa com a expectativa de crescimento, mas relatam que as mudanças demoram a acontecer ou quase nunca acontecem. Quando há movimentações salariais, em vários casos os reajustes ficam entre 2% e 3%, o que é considerado insuficiente diante das responsabilidades e da entrega do trabalho.
“Diante das poucas e limitadas movimentações salariais e promoções internas, os trabalhadores acabam dependendo quase exclusivamente dos reajustes negociados nos acordos coletivos. O que tem se observado é que a empresa tem reduzido o valor inicial das remunerações dos novos empregados, além de trabalhar com pouquíssimas movimentações salariais internas, desvalorizando todo o quadro, tanto de novos quanto de antigos empregados”, disse o presidente do Sindfer, Wagner Xavier.
Também pesa a forte pressão por produtividade e “engajamento”. Trabalhadores e trabalhadoras relatam que, além de cumprir suas funções, são cobrados o tempo todo para apresentar melhorias constantes em programas como Kaizen, CCQ e diversas outras atividades que, em muitos casos, fogem ao seu escopo de trabalho. Infelizmente, essa sobrecarga não vem acompanhada da valorização profissional dos empregados.
Esse conjunto de fatores tem provocado desgaste físico e mental. Diversos empregados têm buscado complementar a renda, inclusive trabalhando por meio de aplicativos, como Uber e iFood, em seus dias de folga, comprometendo o descanso, os momentos de lazer e a vida familiar.
Mesmo quando não pedem demissão, muitos acabam desmotivados e passam a buscar outras atividades ou reduzir o envolvimento com o trabalho. Esse tipo de desânimo nem sempre aparece nas estatísticas oficiais da empresa: embora o número de pedidos de saída possa parecer baixo, os sinais de perda de interesse e de engajamento indicam um problema mais profundo dentro do ambiente de trabalho.
“Neste próximo ACT, a empresa tem a oportunidade de começar a reverter esse quadro e valorizar mais os trabalhadores e trabalhadoras. Isso passa pela elevação do piso salarial, por um reajuste mais expressivo do ticket-alimentação — hoje abaixo dos valores praticados no mercado —, pela concessão de aumento salarial com ganho real e pela criação de novos benefícios que efetivamente agreguem valor à remuneração”, Wagner Xavier.