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Entrevista ao Jornal CATEGORIA

JORNAL CATEGORIA – Presidente, no próximo dia 24 de maio a nova diretoria completa quatro meses à frente do SINDFER. Como se deu o início do trabalho de vocês e quais medidas foram adotadas?

WAGNER XAVIER – Após nossa vitória consagradora na eleição do SINDFER em outubro, atravessamos um longo período de transição com a gestão anterior que perdeu as eleições. Assumimos no dia 24 de janeiro e de início já com um grande desafio de negociar a PLR de 2020 a ser paga em março do próximo ano.

JORNAL CATEGORIA – Qual o resultado dessa negociação?

WAGNER XAVIER – A direção do SINDFER resistiu aos ataques da empresa que cogitava redução do teto de PLR, aumento do gatilho e até mesmo diferenciação da PLR dos trabalhadores do Norte com os do Sul, o que afetaria em cheio nossa PLR devido as restrições que estamos enfrentando nas minas localizadas no estado de MG. Fomos firmes e garantimos a manutenção do modelo da PLR sem nenhuma perda para os trabalhadores, e com isso obtivemos o resultado de 92% de aprovação da negociação em assembleia da nova gestão do SINDFER. Além disso conseguimos assinar um aditivo de PLR já para o próximo ano.

JORNAL CATEGORIA – Explique melhor.

WAGNER XAVIER – O que assinamos de aditivo não tem a ver com a mudança de modelo de PLR nem de quantidade de salários mas, de antever a eventuais cenários negativos ao longo do ano e garantir um mecanismo que nos permita ter espaço para discutir o painel de metas diante de uma conjuntura adversa. Basta lembrar do fatídico ano de 2015, quando se olhou para o presente e não para frente. Resultado: PLR zero!

JORNAL CATEGORIA – E a conjuntura adversa a que você se refere chegou mais cedo do que nunca, no microscópico formato de um vírus, mas que tem causado um estrago monumental na economia internacional e na relação capital e trabalho, não?

WAGNER XAVIER – Sim! Tão logo encerramos as negociações da PLR nos deparamos com o caos provocado pela pandemia da COVID-19 – doença respiratória causada pelo novo coronavírus -, além de uma série de medidas provisórias feitas pelo governo que atacavam em cheio direitos dos trabalhadores. A partir de então a diretoria do Sindfer se dividiu em duas frentes: a primeira estabeleceu um processo permanente de negociação com a Vale, cobrando a manutenção dos postos de trabalho e a aplicação de medidas protetivas à saúde e vida dos empregados; a segunda se voltou para uma ação mais direta junto aos trabalhadores, aumentando significativamente o número de sindicalizados e acompanhando mais de perto as demandas dos trabalhadores. Paralelo a isso, aumentamos os canais de comunicação digital juntos aos trabalhadores a fim de mantê-los informados quase que em tempo real.

JORNAL CATEGORIA – E no âmbito da Vale, qual foi e como tem sido a atuação do SINDFER diante da ameaça da COVID-19?

WAGNER XAVIER – Na segunda quinzena de março apresentamos à Vale uma extensa pauta de reivindicações específicas voltadas à proteção dos empregados. Demandas que incluíam desde a aferição da temperatura dos trabalhadores que adentravam nas unidades da Vale e nos ônibus, à diminuição gradativa de pessoas dentro das unidades da Vale, entrega de material de higienização para os trabalhadores, quantidade menor de pessoas dentro dos ônibus, higienização dessas conduções, realização de testes rápidos em massa e cartão (ticket) alimentação extra.

JORNAL CATEGORIA – Qual a resposta da Vale?

WAGNER XAVIER – O SINDFER garantiu quase todas as reivindicações feitas à Vale. Em especial os testes rápidos e o ticket alimentação extra de R$ 760, pagos em março e abril. Nos últimos dias cobramos da Vale para que o ticket fosse estendido para o mês de maio também, e garantido enquanto perdurar a crise atual.

JORNAL CATEGORIA – Os trabalhadores têm reconhecido esse trabalho?

WAGNER XAVIER – Muito! Temos batidos recordes permanentes e mensais de novas sindicalizações, prova do reconhecimento por parte da categoria do trabalho sério voltado à defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores.

JORNAL CATEGORIA – Como a estrutura do sindicato foi entregue à nova gestão?

WAGNER XAVIER – A estrutura física da sede, subsedes e colônia de férias foram entregues extremamente sucateadas e com rotinas e procedimentos obsoletos. Atualmente já contratamos uma equipe de arquitetos para nos ajudar com o projeto de reforma que se iniciará muito em breve na sede e se estenderá no decorrer do ano para todas as subsedes. Na colônia de férias já iniciamos desde janeiro o processo de reforma para atender o período de carnaval. Fomos muito elogiados pelo muito feito em pouco tempo, mas é preciso avançar e temos como compromisso entregar até o final do ano uma nova colônia de férias que será motivo de orgulho para a classe ferroviária.

JORNAL CATEGORIA – Atualmente o movimento sindical passa por uma grave crise financeira, principalmente por conta do fim do imposto sindical. Como o SINDFER tem feito para investir em melhorias?

WAGNER XAVIER – A conta é simples. Quando assumimos a entidade observamos um desequilíbrio com os gastos acima da arrecadação. Logo na primeira reunião, no dia 24 de janeiro, convocamos toda a Diretoria e apoiadores mais próximos para fazer um grande compromisso de reerguer nosso sindicato. No primeiro mês revisamos contratos com prestadores de serviços e fizemos cortes de gastos não essenciais. Paralelo a isso, aumentamos significativamente a quantidade de associados o que impulsionou a receita, gerando assim recursos suficientes para melhorar a estrutura do SINDFER.

JORNAL CATEGORIA – Wagner, esta entrevista praticamente inaugura o site do SINDFER, importante ferramenta institucional de comunicação, e que nunca teve a devida atenção por parte da gestão anterior, tanto que estava fora do ar nos últimos anos. Como você vê a comunicação sindical em plataformas múltiplas, dos jornais impressos às redes sociais?

WAGNER XAVIER – A ideia é continuar com o jornal impresso do SINDFER. Já é um produto culturalmente assimilado – e cobrado – pela categoria, e que aproxima ainda mais o contato entre a diretoria do SINDFER e os trabalhadores. Ele tem uma linguagem de comunicação específica que não será substituída pela mídia digital. Por outro lado, a comunicação digital vem cada vez mais assumindo o protagonismo na transmissão de informações. Devemos muito a vitória da nossa chapa ao trabalho intenso e dinâmico nas redes sociais. O lançamento do site do Sindicato é um pouco da consagração de tudo isso. Trata-se de uma plataforma concebida com o que há de mais moderno em termos de design gráfico, fácil de ler e acessar, tanto em ambiente do smartphone quanto em desktop. E não vamos parar por aí, já estamos desenvolvendo um aplicativo para facilitar e aproximar ainda mais o sócio do Sindicato. Quanto ao jornal impresso, atualmente ele tem sido divulgado em nossas redes sociais, mas voltará ao formato físico tão logo essa pandemia acabe.

JORNAL CATEGORIA – Wagner, para finalizar: com a crise mundial provocada pela pandemia do novo corona vírus, qual a leitura que você faz do futuro da relação capital e trabalho?

WAGNER XAVIER – Acredito que um mundo inteiramente novo se erguerá com o fim da pandemia. Espero que seja um mundo novo para melhor. Essa crise forçou as principais potências capitalistas mundiais a repensar o papel do Estado como não mais um Estado mínimo, mas um Estado que esteja a serviço da promoção de políticas públicas em benefício, sobretudo, das classes mais desfavorecidas da sociedade, em especial, os miseráveis e os chamados invisíveis que se encontram abaixo da linha da miséria. Economia, política, cultura, nossas relações interpessoais (do aperto de mão e abraço às grandes reuniões de família e amigos nos finais de semana), tudo mudará. Inclusive a relação capital e trabalho. A tendência é que o capitalismo selvagem dê espaço a um sistema econômico, ainda que capitalista, mas eivado de humanismo e preocupação real com a saúde e necessidades dos trabalhadores. Não faço ideia do que o futuro nos reserva com relação as assembleias, mobilizações e manifestações. Mesmo as negociações salariais do ACT nacional e regional, ou da PLR. Uma coisa é certa, tudo mudará. Nosso desafio é fazer que tudo mude para melhor. A humanidade precisa dessa trégua e os trabalhadores precisam dessa valorização e paz em seu local de trabalho.

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